terça-feira, 19 de julho de 2016

BC começa hoje reunião sobre juros; será 1ª decisão sob novo comando


O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central começa nesta terça-feira (19) uma reunião de dois dias para decidir a Selic, a taxa básica de juros do país. Esse será o quinto encontro do Copom neste ano e a primeira decisão sobre o tema com o BC sob o comando de Ilan Goldfajn.
A taxa está em 14,25% ao ano desde julho do ano passado. Nas últimas sete reuniões, o BC decidiu manter a Selic no mesmo nível. É o período mais longo de estabilidade desde que o regime de metas de inflação foi implantado em 1999.
A tendência é que a taxa seja mantida nos 14,25% novamente nesta semana, na opinião da maioria dos analistas de mercado consultados pelo BC para o Boletim Focus e também dos economistas consultados pela agência de notícias Reuters. 
Ainda de acordo com pesquisa da Reuters, o BC deve manter a Selic em 14,25% pelo menos até outubro.

Empresas endividadas e desemprego


Os juros altos têm pesado sobre a economia, que deve passar pela maior recessão da história. Empresas grandes e pequenas têm corrido para renegociar suas dívidas, e o desemprego subiu com força, encerrando anos de forte crescimento.
O presidente do BC, Ilan Goldfajn, sinalizou que um dos fatores a serem monitorados para a decisão sobre os juros será a situação das contas públicas. Ao esperar até outubro, o BC terá a chance de avaliar se as medidas propostas pelo presidente interino Michel Temer para controlar os gastos públicos serão bem-recebidas pelo Congresso Nacional, avaliaram economistas do JPMorgan, em relatório.

Juros X Inflação


Os juros são usados pelo Banco Central para tentar controlar a inflação. De modo geral, quando a inflação está alta, o BC sobe os juros para reduzir o consumo e forçar os preços a caírem. Quando a inflação está baixa, o BC derruba os juros para estimular o consumo. 
A meta é manter a inflação em 4,5% ao ano, mas há uma tolerância de 2 pontos, ou seja, pode variar entre 2,5% e 6,5%.
A inflação segue bem acima do limite máximo: chegou  9,62% em 12 meses, segundo os dados mais recentes, da prévia da inflação (IPCA-15) em maio. 
Porém, os juros também estão altos e o país está em recessão. Se o BC subir ainda mais os juros, corre o risco de fazer a economia encolher ainda mais.

Juros para o consumidor são mais altos


A Selic é a taxa básica da economia e serve de referência para outras taxas de juros (financiamentos) e para remunerar investimentos corrigidos por ela. 
Ela não representa exatamente os juros cobrados dos consumidores, que são muito mais altos.
Segundo os últimos dados divulgados pelo BC, a taxa de juros do cheque especial subiu em abril e atingiu 308,7% ao ano, e os juros do rotativo do cartão de crédito ficaram em 448,6% ao ano.

Como sua vida é afetada pelos juros altos?


  • Empréstimos e financiamentos ficam caros (prestação de uma geladeira ou um carro);
  • Sobe o desemprego porque as empresas investem menos;
  • As pessoas cortam gastos. Isso ajudaria a reduzir a inflação;
  • A economia enfraquece (o PIB, Produto Interno Bruto, cai);
  • A poupança rende com seu potencial máximo. Quando a Selic está igual ou inferior a 8,5% ao ano, rende menos. Como está acima, vai dar 6,17% ao ano mais a TR;
  • Os juros altos aumentam o rendimento com investimentos em certos títulos públicos, como o Tesouro Selic.
(Com Reuters)
Do UOL, em São Paulo